Mundial de 2006: Como o Inter venceu o Barcelona
O Inter venceu o Barcelona por 1 a 0 na final do Mundial de 2006, em 17 de dezembro, no Estádio Internacional de Yokohama, no Japão. A vitória saiu de uma estratégia de marcação compacta, paciência com a bola e um contra-ataque aos 37 minutos do segundo tempo, concluído por Adriano Gabiru.
A seguir, você vê o contexto da decisão, o plano de jogo de Abel Braga, como o time neutralizou as estrelas espanholas, as mudanças que mudaram a partida e a ficha técnica completa.
Resumo rápido sobre a vitória no Mundial de 2006
- Placar: Internacional 1 x 0 Barcelona, gol de Adriano Gabiru aos 82 minutos
- Data e local: 17 de dezembro de 2006, Estádio Internacional de Yokohama
- Público: 67.128 pessoas; árbitro: Carlos Batres, da Guatemala
- Técnicos: Abel Braga (Inter) e Frank Rijkaard (Barcelona)
- Caminho do Inter: vitória por 2 a 1 sobre o Al Ahly na semifinal
Por que o Barcelona era favorito
O Barcelona chegou ao Japão como campeão europeu da temporada 2005/06. O elenco tinha Ronaldinho, Deco, Iniesta, Puyol, Xavi e Zambrotta, entre outros nomes de seleção. Na semifinal, os catalães atropelaram o América, do México, por 4 a 0.
O Inter, campeão da Libertadores daquele ano, havia passado pelo Al Ahly, do Egito, por 2 a 1, em jogo mais duro do que o esperado. A diferença de orçamento entre os dois clubes era enorme, e a maior parte das análises da época dava o título como provável para os espanhóis.
Vale lembrar o tamanho do adversário. Ronaldinho tinha sido eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 2004 e 2005. Deco, Puyol e Iniesta eram nomes fortes de suas seleções, e Rijkaard havia levado o clube ao título europeu meses antes, em Paris, sobre o Arsenal.
O atacante camaronês Samuel Eto’o, um dos principais nomes do elenco, não esteve em campo na final, e Gudjohnsen ocupou o centro do ataque. Ainda assim, o time catalão era considerado um dos melhores da Europa naquele momento.
O plano de jogo de Abel Braga
Abel escalou o time em algo próximo de um 4-3-3 que, sem a bola, se fechava em um bloco compacto. Os três volantes e meias, Edinho, Wellington Monteiro e Alex, fechavam o centro do campo e impediam que Deco e Iniesta recebessem com liberdade entre as linhas.
Pelos lados, Ceará e Rubens Cardoso ficaram mais presos à defesa. A ideia era não dar espaço para Ronaldinho, que partia da esquerda, e para Giuly, que atuava pela direita. Na frente, Fernandão, Iarley e Alexandre Pato tinham a missão de pressionar a saída de bola e sair rápido quando houvesse roubada.
O Barcelona teve mais posse, mas pouco espaço. O primeiro tempo terminou sem gols e com o goleiro Clemer pouco exigido em finalizações claras.
Clemer foi seguro nas poucas bolas que exigiram defesa difícil. A dupla de zaga, Índio e Fabiano Eller, ganhou a maioria dos duelos pelo alto e por baixo contra Gudjohnsen, que atuava como referência do ataque espanhol.
No meio, Edinho e Wellington Monteiro fizeram o trabalho de contenção. Quando Vargas entrou, a função ficou ainda mais clara: marcar Deco de perto e cortar as linhas de passe para Ronaldinho. Na frente, Iarley teve atuação de destaque, segurando a bola, cavando faltas e dando fôlego para a defesa.
Esse equilíbrio entre resistência e saída rápida explica por que o Inter, mesmo com menos posse, chegou ao gol na melhor oportunidade que construiu na partida.
As mexidas que viraram a partida
No intervalo, Abel trocou Alex por Fabián Vargas, colombiano de perfil mais defensivo, para reforçar a marcação no meio. Rijkaard respondeu colocando Belletti no lugar de Zambrotta e, aos 59 minutos, Xavi na vaga de Thiago Motta.
Aos 61, Pato, de apenas 17 anos, deu lugar a Luiz Adriano. A troca decisiva veio aos 76: o capitão Fernandão, desgastado, saiu para a entrada de Adriano Gabiru. Seis minutos depois, o reserva marcaria o gol do título.
O lance nasceu de uma recuperação de bola no campo de defesa. Iarley conduziu o contra-ataque pela direita, segurou a marcação e tocou para Gabiru, que finalizou na saída de Víctor Valdés. Nos minutos finais, o Inter recuou, suportou a pressão e segurou o resultado até o apito de Carlos Batres.
Ficha técnica da final
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Data | 17 de dezembro de 2006 |
| Estádio | Estádio Internacional de Yokohama (Japão) |
| Público | 67.128 |
| Árbitro | Carlos Batres (Guatemala) |
| Gol | Adriano Gabiru, 82 minutos |
| Inter | Clemer; Ceará, Índio, Fabiano Eller e Rubens Cardoso; Wellington Monteiro, Alex (Vargas) e Edinho; Fernandão (Adriano Gabiru), Iarley e Alexandre Pato (Luiz Adriano) |
| Barcelona | Víctor Valdés; Zambrotta (Belletti), Rafael Márquez, Puyol e Van Bronckhorst; Thiago Motta (Xavi), Deco e Iniesta; Giuly, Gudjohnsen (Ezquerro) e Ronaldinho |
| Cartões amarelos | Índio, Adriano Gabiru e Iarley (Inter); Thiago Motta (Barcelona) |
O que a vitória representou
O título coroou o melhor ano da história colorada, que já tinha começado com a Libertadores de agosto. Iarley recebeu a Bola de Prata do torneio, enquanto Deco, mesmo derrotado, levou a Bola de Ouro e foi eleito o melhor em campo na final.
A partida também ficou marcada como exemplo de como um time sul-americano, com menos recursos, pode competir com um gigante europeu com organização defensiva e eficiência nos contra-ataques.
Perguntas frequentes sobre a final contra o Barcelona
Quem fez o gol do Inter contra o Barcelona?
Adriano Gabiru, que tinha entrado no lugar de Fernandão aos 76 minutos. O gol saiu aos 82, depois de passe de Iarley.
Quem era o técnico do Inter no Mundial de 2006?
Abel Braga. Ele já havia comandado o time no título da Libertadores, conquistado em agosto do mesmo ano.
Ronaldinho jogou a final do Mundial de 2006?
Sim, Ronaldinho atuou os 90 minutos, mas foi bem marcado e não conseguiu decidir. Ele recebeu a Bola de Bronze do torneio.
Quantas pessoas assistiram à final no estádio?
O público oficial foi de 67.128 torcedores no Estádio Internacional de Yokohama.