O Internacional viveu uma tarde amarga neste sábado (1º), no Sesc Campestre, em Porto Alegre. Mesmo vencendo o Juventude por 2 a 0 no tempo normal, e igualando o placar do jogo de ida, as Gurias Coloradas acabaram eliminadas nas cobranças de pênaltis (3 a 2). O resultado marca o fim de uma era de domínio estadual e acende o alerta no Beira-Rio.
Expulsão, pressão e drama nos pênaltis
O confronto começou equilibrado, com o Inter buscando o controle da posse e o Juventude apostando em transições rápidas. Belén Aquino abriu o placar de pênalti aos 42 minutos, e a uruguaia quase ampliou nos acréscimos, parando em uma grande defesa da goleira Renata.
Na volta do intervalo, o Inter manteve o ímpeto, mas tudo mudou aos 7 minutos, quando a goleira Mayara foi expulsa após falta em Teté. Mesmo com uma jogadora a menos, o time manteve a intensidade e chegou ao segundo gol com Iasmin, destaque da partida, aos 38 minutos, levando a decisão para os pênaltis.
Nas cobranças, brilhou a estrela de Thaís Amorim, goleira do Juventude, que defendeu os chutes de Capelinha e Katrine, garantindo a classificação inédita das jaconas para a final do Campeonato Gaúcho Feminino, onde enfrentarão o Grêmio, que superou o Brasil de Farroupilha na outra semifinal.
Primeira ausência na final desde 2017
A eliminação é simbólica: o Inter fica fora da decisão estadual pela primeira vez desde 2017, quebrando uma sequência de protagonismo que ajudou a consolidar o clube como referência no futebol feminino brasileiro. O revés, porém, escancara problemas que vinham sendo mascarados pelos resultados.
Internamente, a diretoria já trata o episódio como um ponto de virada. O planejamento, a formação do elenco e até o comando técnico estão sob avaliação. Há expectativa de mudanças estruturais nas próximas semanas.
Clima de cobrança e futuro incerto
No Beira-Rio, o clima é de pressão por respostas rápidas. A equipe, que vinha empilhando títulos e figurando entre as principais forças do país, agora encara a dura realidade de assistir à final de fora, justamente um Gre-Nal decisivo que, por anos, parecia ser um clássico garantido.
Nos bastidores, fala-se em reformulação profunda, com possíveis saídas e reforços pontuais. O Inter deve disputar amistosos nas próximas semanas enquanto define o futuro de atletas e comissão técnica.
Análise: o fim de um ciclo
A queda no Gauchão não é apenas uma derrota esportiva, é um sinal de desgaste de projeto. O Inter, que dominou o cenário regional e competiu em alto nível nacionalmente, mostra agora a necessidade de renovar ideias e elenco.
A eliminação para o Juventude, rival emergente no futebol feminino, simboliza o que muitos torcedores já vinham percebendo: a equipe perdeu intensidade, competitividade e, sobretudo, identidade em campo.
Mais do que perder um título, o Inter perde a confiança que o cercava. E essa talvez seja a maior preocupação.