Após mais um tropeço no Brasileirão, Andrés D’Alessandro, diretor esportivo do Internacional, foi direto ao ponto na entrevista coletiva pós-jogo. O ídolo colorado fez um pedido emocionado e pessoal à torcida, cobrando apoio no momento mais delicado do clube na temporada.
“Sabemos que o momento não é ideal (…), mas precisamos de vocês”, disse D’Ale, visivelmente emocionado, ao fim do empate em 1 a 1 com o Corinthians, nesta quarta-feira (2/10) no Beira-Rio.
Público abaixo do esperado e jejum preocupante
A resposta das arquibancadas deixou a desejar: apenas 12.825 torcedores estiveram presentes no Beira-Rio, bem abaixo da projeção de 20 mil. O Inter não vence há quatro partidas, são duas derrotas (Palmeiras e Grêmio) e dois empates seguidos (Juventude e Corinthians).
“Eu sei que o torcedor está chateado, com razão. Nós aceitamos as cobranças. Mas o Inter sem o torcedor perde muito”, reforçou o argentino.
Atualmente, o clube ocupa a 15ª colocação no campeonato, com 29 pontos, apenas seis acima da zona de rebaixamento.
Lembrança da Série B e confiança na comissão
Na fala mais simbólica da noite, D’Alessandro resgatou momentos turbulentos da história recente do clube, incluindo a queda para a Série B em 2016 e a luta para voltar em 2017 — para pedir união entre jogadores, torcida e diretoria.
“Com a ajuda do torcedor, podemos voltar a ter confiança”, afirmou.
Ele também saiu em defesa da comissão técnica liderada por Ramón Díaz, pedindo paciência para a implementação de um novo modelo de jogo.
Jogo contra o Botafogo vira “final”
A próxima partida é tratada internamente como uma decisão antecipada. No sábado (5/10), o Inter recebe o Botafogo, às 18h30, no Beira-Rio, pela 27ª rodada do Brasileirão. A expectativa é de casa cheia após o apelo de D’Alessandro.
“Precisamos da força de vocês para ganhar um jogo importante e respirar um pouco. A data Fifa será crucial para trabalhar esse novo modelo”, destacou.
Análise: discurso de ídolo para tentar frear crise
O pedido de D’Ale não foi apenas retórico, foi um grito de socorro de quem conhece como poucos o ambiente do Beira-Rio. A crise técnica não é nova, mas se agravou nas últimas rodadas com atuações pouco inspiradas e um time que ainda busca identidade com o novo treinador.
A diretoria confia em Ramón Díaz, mas o tempo é curto, e o calendário apertado não ajuda. Com a zona de rebaixamento se aproximando, a urgência por resultado transforma o jogo contra o Botafogo em algo maior do que três pontos: é questão de sobrevivência.