Beira-Rio na enchente de 2024: Como o estádio foi afetado

Na enchente de 2024, o Beira-Rio foi invadido pelas águas do Guaíba no início de maio. A água subiu entre 1 e 1,2 metro dentro do estádio, cobriu o gramado e todo o primeiro nível, alcançou a segunda fileira das arquibancadas e destruiu instalações elétricas, móveis e áreas internas. O clube chegou a estimar perdas de até R$ 35 milhões.

Este texto detalha o que foi danificado, como foi a limpeza, quais técnicas aceleraram a volta do gramado e quanto tempo levou cada etapa da recuperação. Também explica o contexto da cheia histórica que atingiu Porto Alegre.

Resumo rápido sobre o Beira-Rio na enchente

  • Altura da água no estádio: de 1 a 1,2 metro, segundo o clube.
  • Áreas atingidas: gramado, primeiro nível, vestiários e lojas.
  • Prejuízo estimado: até R$ 35 milhões, somando estádio e operação.
  • Início da limpeza interna: 17 de maio de 2024.
  • Mão de obra: mais de 600 pessoas na recuperação.
  • Reabertura: 7 de julho de 2024.

A cheia histórica do Guaíba

As chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul entre o fim de abril e maio de 2024 provocaram a maior cheia já registrada no Guaíba. Em 5 de maio, o nível chegou a 5,33 metros às 8h no Cais Mauá e a 5,37 metros à tarde, conforme registros citados pela Wikipédia. A marca superou a enchente de 1941.

O Beira-Rio está construído sobre uma área aterrada do próprio Guaíba. Por isso, foi uma das primeiras estruturas esportivas da cidade a sentir o avanço da água. O CT Parque Gigante, vizinho, estava submerso desde 3 de maio.

A dimensão da tragédia vai muito além do futebol. Segundo a Defesa Civil estadual, citada pela Wikipédia, até 20 de agosto de 2024 eram 183 mortes, 478 municípios afetados e cerca de 442 mil pessoas desalojadas. Nesse cenário, uma campanha de arrecadação de alimentos no Gigantinho, que já somava cerca de 20 toneladas, foi suspensa pelo risco de inundação.

O que a água destruiu

O vice-presidente de administração do clube, Victor Grunberg, relatou que a água ficou parada por muito tempo na altura do primeiro nível. Essa área concentra vestiários, salas técnicas, lojas e corredores de circulação.

Os danos se concentraram na parte baixa do estádio, justamente a mais usada no dia a dia. O gramado foi perdido por completo. A grama de inverno, que já estava em fase de cultivo, morreu e precisou ser replantada. Os bancos de reservas foram deslocados pela correnteza. Mobiliário, sistemas elétricos e de informática do primeiro nível ficaram inutilizados.

Na limpeza, os funcionários encontraram até um peixe dentro do estádio, imagem que circulou bastante na época. O local também passou por desinfecção e controle de pragas, já que a água de enchente pode transmitir doenças como a leptospirose.

Como foi a recuperação, etapa por etapa

Em 15 de maio, a projeção do clube era de 60 a 90 dias até o estádio voltar a receber jogos. Uma força-tarefa com mais de 600 pessoas reduziu esse prazo. A tabela resume os principais marcos.

DataEtapa
28/04/2024Último jogo antes da cheia: Inter 1 x 1 Atlético-GO
03/05/2024CT Parque Gigante fica submerso
17/05/2024Início da limpeza interna do Beira-Rio
06/06/2024Energia restabelecida em 75% do estádio; limpeza das lojas
Junho de 2024Plantio de grama de inverno e troca do piso sintético dos vestiários
07/07/2024Reabertura com Inter x Vasco, pelo Brasileirão

A parte invisível ao torcedor exigiu tanto trabalho quanto o gramado. No início de junho, a energia estava restabelecida em 75% do estádio, e os 25% restantes passavam por testes. O abastecimento de água seguia em situação parecida. Ao mesmo tempo, equipes trocavam o piso sintético dos vestiários e do túnel de acesso ao campo e limpavam lojas e corredores.

O gramado que voltou com ajuda de luz artificial

O campo foi o ponto mais delicado. Para ganhar tempo, o clube semeou grama de inverno e usou iluminação artificial para acelerar o crescimento. As chuvas que ainda caíam em junho atrasaram a fase final.

No dia da reabertura, a diretoria admitiu que o gramado estava apto para jogo, mas não no nível ideal. A previsão era de atingir a condição plena em 15 a 30 dias. O primeiro nível também recebeu móveis novos, comprados para repor o que foi perdido.

O jogo de reabertura, contra o Vasco, em 7 de julho, encerrou um período de 70 dias sem partidas no Beira-Rio. Para a diretoria, a prioridade era devolver o estádio à torcida o quanto antes, mesmo com detalhes ainda pendentes. A recuperação completa dos ambientes internos seguiu nas semanas seguintes.

O que mudou depois da enchente

A cheia expôs a vulnerabilidade de um estádio erguido sobre o rio. A recuperação incluiu reconstrução de ambientes, troca de equipamentos e revisão de sistemas elétricos. No CT vizinho, foi preciso refazer paredes, forros e esquadrias, trabalho que só terminou em agosto de 2024.

Perguntas frequentes sobre o Beira-Rio na enchente

Até onde a água chegou no Beira-Rio?

A cerca de 1 a 1,2 metro de altura, cobrindo o gramado e o primeiro nível e chegando à segunda fileira das arquibancadas.

Qual foi o prejuízo do Inter com a enchente?

O clube estimou perdas de até R$ 35 milhões, valor preliminar que incluía estádio e operação.

Quando o Beira-Rio reabriu após a enchente?

Em 7 de julho de 2024, no jogo contra o Vasco pelo Brasileirão.

O gramado do Beira-Rio foi trocado?

Foi replantado com grama de inverno, com apoio de iluminação artificial para acelerar o crescimento.

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